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Sua Santidade o Dalai Lama

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Ensinamentos: Uma Colaboração entre a Ciência e a Religião

Estes são tempos em que emoções destrutivas como a raiva, o medo e o ódio estão causando problemas devastadores por todo o mundo. Enquanto as notícias diárias nos oferecem lembretes desagradáveis sobre o poder destrutivo de tais emoções, temos que nos perguntar: o que fazer para superá-las?

Certamente, tais emoções destrutivas sempre foram parte da condição humana — a humanidade tem lutado com elas por milhares de anos. Mas acredito que agora temos uma valiosa oportunidade de fazer progresso ao lidar com elas, através da colaboração entre a religião e a ciência.

Com isso em mente, tenho me engajado em uma série continua de diálogos com grupos de cientistas. Organizados pelo Mind & Life Institute, eles se baseiam em tópicos que abrangem desde física quântica e cosmologia até compaixão e emoções destrutivas. Descobri que enquanto os achados científicos oferecem um entendimento mais profundo de campos do conhecimento, tais como a cosmologia, parece que as explicações budistas podem às vezes dar aos cientistas um novo modo de olhar para o seu próprio campo.

Nosso diálogo proporcionou benefícios não somente para a ciência, mas também para a religião. Embora nós tibetanos tenhamos um valioso conhecimento a respeito do mundo interno, estivemos parcialmente defasados materialmente, devido à falta de conhecimento científico. Mas os ensinamentos budistas ressaltam a importância de entender a realidade. Portanto, devemos prestar atenção ao que os cientistas modernos de fato descobriram através da experimentação e através da medição, e às coisas que eles têm provado ser realidade.

No início desses diálogos havia muito poucos de nós do lado budista; no primeiro, apenas eu mesmo e dois tradutores. Mas, recentemente, começamos a introduzir estudos de ciência moderna em nossos monastérios, e em nosso mais recente diálogo científico havia mais ou menos vinte monges tibetanos na platéia. Os objetivos desse diálogo estão em dois níveis.

Um é o nível acadêmico, a expansão do conhecimento. Falando genericamente, a ciência tem sido um instrumento extraordinário para entender o mundo material, fazendo vastos progressos no curso de apenas uma vida — embora seja claro que ainda há muitas coisas a explorar. Mas a ciência moderna não parece ser tão avançada a respeito das nossas experiências internas.

Em contraste, o budismo, um antigo sistema de pensamento indiano, reflete uma profunda investigação no funcionamento da mente. Através dos séculos, muitas pessoas realizaram o que poderíamos chamar de experimentos nesse campo, e tiveram experiências significantes, e mesmo extraordinárias, como resultado de práticas baseadas no seu conhecimento. Portanto, mais discussão e estudo conjunto entre cientistas e estudiosos budistas, em nível acadêmico, poderiam ser úteis para a expansão do conhecimento humano.

Em outro nível, se a humanidade deve sobreviver, a felicidade e a paz interior são cruciais. De outro modo, é provável que as vidas de nossos filhos e as de seus filhos se tornem infelizes, desesperadas e curtas. A tragédia de 11 de setembro de 2001 demonstrou que a moderna tecnologia e a inteligência humanas, guiadas pelo ódio, podem conduzir a imensa destruição. Certamente o desenvolvimento material contribui para a felicidade – em alguma extensão – e para um modo de vida confortável. Mas isso não é suficiente. Para alcançarmos um nível profundo de felicidade não podemos negligenciar nosso desenvolvimento interior. Sinto, por exemplo, que nossa percepção dos valores humanos fundamentais não acompanhou o ritmo dos poderosos novos desenvolvimentos em nossas habilidades materiais.

Por esse motivo tenho encorajado cientistas a examinar praticantes espirituais tibetanos avançados, para ver quais efeitos de sua prática espiritual poderiam ser benéficos para os outros, fora do contexto religioso. Uma abordagem seria levar o auxílio dos cientistas para tentar esclarecer o funcionamento desses métodos interiores. O ponto importante aqui é aumentar nosso entendimento do mundo da mente, da consciência e das nossas emoções.

Experimentos já realizados mostram que alguns praticantes podem chegar a um estado de paz interior, mesmo enfrentando circunstâncias externas muito perturbadoras. Os resultados demonstram que tais pessoas são mais felizes, menos suscetíveis a emoções destrutivas e mais afinadas com os sentimentos dos outros.

Esses métodos são não somente úteis, mas baratos: você não precisa comprar nem fabricar nada. Você sequer precisa de uma droga ou injeção.

A próxima questão é como devemos compartilhar esses resultados benéficos com as pessoas, além daquelas que são budistas. Isso não envolve o budismo como tal, nem qualquer outra tradição religiosa – é simplesmente uma questão de tentar elucidar o potencial da mente humana. Todos nós, ricos ou pobres, educados ou incultos, temos o potencial para levar uma vida pacífica e significativa. Devemos explorar ao máximo possível os meios para realizá-la.

No curso dessa exploração, ficará óbvio que a maioria das perturbações são estimuladas não por causas externas, mas por causas internas, tais como o aparecimento de emoções perturbadoras.O melhor antídoto contra estas fontes de descontentamento virá através do aumento de nossa habilidade para lidar nós mesmos com essas emoções. De fato, precisamos desenvolver uma atenção que forneça meios para que nós mesmos superemos as emoções negativas e perturbadoras.

Os métodos espirituais estão disponíveis, mas devemos torná-los aceitáveis para as pessoas que não são propensas à espiritualidade. Somente se pudermos fazer isso esses métodos terão o mais amplo efeito. Isso é importante, porque a ciência, a tecnologia e o desenvolvimento material não podem resolver todos os nossos problemas. Precisamos combinar nosso desenvolvimento material com o desenvolvimento interior de valores humanos como a compaixão, a tolerância, o perdão, o contentamento e a autodisciplina.

(Proferido por Sua Santidade o 14° Dalai Lama em 14 de Janeiro de 2003. Traduzido por Inês Campos.)